O Transporte dos acorianos a Santa Catarina

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O número das pessoas, já inscritas nos transportes, prometia um grande lucro financeiro para os
proprietários dos navios. A Corte Lisboeta recebeu muitas propostas para que os transportes fossem
efetuados.
O primeiro contrato de transporte de 1.000 pessoas, foi assinado no dia 7 de agosto de 1747 entre a
Corte Lisboeta e Feliciano Velho Oldenberg. O Assentista iniciou o cumprimento do contrato com o
transporte feito em 1747 pelos barcos “Jesus, Maria, José” e “Santa Ana e Senhor do Bonfim”, que em dois
dias completaram a sua capacidade e levaram a bordo um total de 473 pessoas. Seria uma viagem longa e
difícil, mas repleta de esperanças e sonhos de uma vida melhor. Em menos de três meses e mais de 8. 000
quilômetros, os navios atingiram a Ilha de Santa Catarina, infelizmente o elenco não estava completo – 12
pessoas morreram na viagem. Em 1748, foi feito o segundo transporte pelo mesmo contrato. Os barcos
“Jesus, Maria e José” e “São Domingos e Almas” levaram 590 pessoas e apenas 506 chegaram vivas ou seja,
84 pessoas morreram! O terceiro e o último transporte de Feliciano Velho Oldenberg foi feito pelo barco
“Jesus, Maria, José”, trazendo ao Brasil 230 pessoas.
A alta taxa de mortalidade nas viagens foi causada por vários motivos – os barcos não possuíam espaço
suficiente para todos a bordo; a quantidade de água era limitada e a higiene, mínima; as câmaras limpadas
diariamente pelas mulheres permaneciam molhadas, resultando em problemas respiratórios devido à
umidade do ar; a falta de comida fresca, frutas, legumes e vitaminas, causava fraqueza física e durante a
14longa viagem muitos adoeciam de febres, infecções intestinais, pneumonias, crises de fígado, escorbuto ou
avitaminose. Muitas vezes o destino dos açorianos parecia igual ao dos escravos da costa africana, que os
negociantes levavam para a colônia brasileira. Muitos deles morriam durante a longa viagem por causa do
mal de Luanda, doença que atingia fracos e fortes, homens e mulheres.
Depois do segundo transporte, Feliciano Velho Oldenberg começou a ser criticado pelas autoridades
sobre as condições desumanas nos barcos, perdendo para outro comerciante a possibilidade de assinar o
próximo contrato de transporte para 4. 000 açorianos.
O novo contrato de transporte para 4.000 pessoas das Ilhas dos Açores à Ilha de Santa Catarina foi
assinado dia 3 de Julho de 1749 com Francisco de Souza Fagundes.
O primeiro transporte do Francisco de Sousa Fagundes foi feito em dezembro de 1749 por três barcos
– “Bom Jesus dos Perdões e Nossa Senhora do Rosário”, “Nossa Senhora da Conceição e Porto Seguro” e
“Sant’Ana e Senhor do Bonfim”, que levaram um total de 1. 300 pessoas, mas desembarcaram apenas 1.
066. Os navios vieram com 234 pessoas à menos ou seja, nem com o novo Assentista foi resolvido o
problema da mortalidade nas viagens! O segundo transporte, do contrato com Fagundes, também foi feito
pelos mesmo navios, os quais entre dezembro de 1750 e janeiro de 1751 entraram no porto da Ilha de Santa
Catarina. De 1480 pessoas embarcadas 21 morreram. Em 1752, vieram os navios “Bom Jesus dos Perdões e
Nossa Senhora do Rosário” e “Nossa Senhora da Conceição e Porto Seguro” com total de 1. 000, de 1. 187
açorianos que embarcaram nas Ilhas. Com este transporte, o contrato de Francisco de Souza Fagundes foi
completado. Durante os três transportes o Assentista levou à Ilha de Santa Catarina em total 4. 224 pessoas.
Se acrescentarmos este número com o número de pessoas vindos através de Feliciano Velho de Oldenberg, 1.
15213 pessoas, teremos um total de 5. 437 açorianos que vieram à Ilha de Santa Catarina entre os anos 1749 –
1752.
Ainda antes de ser completado o transporte de 4. 000 pessoas, o Conselho Ultramarino assinou mais
um contrato com Francisco de Souza Fagundes para transportar mais 1. 000 açorianos à Ilha de Santa
Catarina. O contrato foi assinado dia 8 de setembro de 1751 e efetuado em 1752 pelos navios “Bom Jesus
dos Perdões e Nossa Senhora do Rosário” e “N.Sra. da Conceição e Porto Seguro” que em total levaram ao
Brasil 1. 100 pessoas.
Desde o início da colonização, o Governador de Santa Catarina pedia a Corte Lisboeta, que lhe
enviasse homens – soldados, para serem utilizados nas fortalezas recém construídas. O pedido foi ouvido
somente alguns anos mais tarde, quando Francisco de Souza Fagundes obteve mais um contrato para
transportar 500 madeirenses, 300 dos quais eram soldados. Em 1756, o navio com 520 pessoas embarcou à
direção do Brasil, mas nunca chegou ao seu destino – naufragou no litoral da Bahia, na foz do rio Joanes e os
madeirenses, que estavam indo com toda a esperança de uma vida melhor, morrem todos no naufrágio.

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